Cachoeira: morre Mãe Lúcia, zeladora do tradicional terreiro Loba Nekun

 

Morreu no último domingo (24), em Cachoeira, a yalorixá Maria Lúcia Barreto dos Santos, conhecida como Mãe Lúcia de Oxum. Ela era uma das mais respeitadas lideranças religiosas da tradição Nagô no Recôncavo Baiano e zeladora dos terreiros Loba’Nekun e Ilê Itailê, reconhecidos por sua relevância histórica e cultural.

A morte de Mãe Lúcia gerou grande comoção entre integrantes do povo de santo, lideranças religiosas e comunidades de matriz africana em toda a Bahia. Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira (25), a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia (Sepromi) destacou o legado de fé, acolhimento, sabedoria e resistência deixado pela sacerdotisa.

Segundo a secretaria, sob a liderança espiritual de Mãe Lúcia, os terreiros Loba’Nekun e Ilê Itailê consolidaram-se como importantes espaços de preservação cultural e religiosa no Recôncavo Baiano. As duas casas possuem reconhecimento oficial por sua importância histórica através do tombamento realizado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).

Mãe Lúcia também foi responsável por manter viva uma linhagem ancestral do candomblé em Cachoeira, cidade considerada um dos principais símbolos da cultura afro-brasileira no país. Sua trajetória foi marcada pela defesa das tradições de matriz africana e pela formação de gerações de filhos e filhas de santo.

O sepultamento será realizado nesta terça-feira (26), às 9h, no Cemitério da Saudade. O cortejo fúnebre sairá do Terreiro Loba’Nekun, na localidade da Terra Vermelha.

Na nota de pesar, a Sepromi afirmou que a partida da yalorixá “deixa uma lacuna irreparável no Recôncavo e em todo o estado”, ressaltando que seus ensinamentos e sua devoção a Oxum permanecerão vivos na memória coletiva do povo baiano.


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