Foto: Reprodução
A comunidade do Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê, em Cachoeira, divulgou um manifesto em vídeo nas redes sociais pedindo a conclusão do processo de regularização fundiária da área onde está localizado o terreiro. No pronunciamento, o atual líder religioso da casa, Pai Duda (Duda de Candola), destaca que a medida é essencial para garantir a preservação do território sagrado e a continuidade das atividades religiosas e culturais desenvolvidas no local.
Segundo a publicação, a regularização dos 22 hectares da área aguarda apenas a aprovação da Procuradoria-Geral do Estado da Bahia (PGE). A comunidade afirma que o território é fundamental para a manutenção das tradições de matriz africana, da preservação ambiental, da ancestralidade e da vida coletiva do terreiro.
“O solo sagrado que alimenta a nossa comunidade de Axé preserva o meio ambiente, salvaguarda a ancestralidade e a nossa vida coletiva”, destaca o manifesto divulgado nas redes sociais.
A comunidade também ressalta que esses princípios garantem a existência do Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê ao longo de mais de um século e reforçam a necessidade de assegurar a permanência do espaço para as futuras gerações.
Patrimônio cultural
Fundado em 1916 por Mãe Judith, o Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê é uma das mais importantes casas de candomblé do Recôncavo Baiano. Localizado na comunidade de Terra Vermelha, em Cachoeira, o terreiro pertence à Nação Nagô e é reconhecido como símbolo da resistência às religiões de matriz africana.
O espaço foi registrado em 2014 como Patrimônio Imaterial da Bahia, no Livro do Registro Especial de Espaços de Práticas Culturais Coletivas, e posteriormente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural brasileiro.
De acordo com o Iphan, um dos principais elementos que justificam o tombamento é a preservação do chamado candomblé rural, cuja prática religiosa está estruturada na relação entre a terra e a casa. O conjunto formado pelas áreas de cultivo, nascentes, fontes, horto sagrado, criação de animais e edificações possui profundo significado espiritual para a comunidade.
O terreiro tem como patrono o orixá Xangô e mantém um calendário tradicional de celebrações nos meses de julho, agosto, setembro e dezembro. Atualmente, a casa é conduzida por Pai Duda de Candola, sucessor de gerações de lideranças religiosas que preservam a história e a tradição do espaço.

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