Irmandade da Boa Morte é homenageada pelo Tribunal de Justiça da Bahia durante programação do Julho das Pretas


A tradicional Irmandade da Boa Morte, de Cachoeira, foi uma das homenageadas pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) durante a terceira edição do Julho das Pretas, realizada na segunda-feira (13), no Auditório Desembargadora Olny Silva, em Salvador. O reconhecimento destacou a contribuição histórica da irmandade para a preservação da cultura afro-brasileira, da ancestralidade e da resistência das mulheres negras.

O evento reuniu desembargadoras, juízas, servidoras, autoridades, estudantes e representantes da sociedade civil em um encontro voltado à valorização das mulheres negras e ao fortalecimento das discussões sobre igualdade racial e justiça social.

Com formato de talk show, a programação contou com a participação das juízas Ana Cláudia de Jesus Souza, Andremara dos Santos e Maria Angélica Alves Matos, além da pesquisadora Florentina Souza, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O debate foi mediado pela pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Mabel Freitas.

A desembargadora Nágila Maria Sales Brito, coordenadora da Coordenadoria da Mulher do TJBA, ressaltou o compromisso do Judiciário com o enfrentamento ao racismo e à discriminação. Em sua fala, também destacou a importância dos Protocolos para Julgamento com Perspectiva de Gênero e com Perspectiva de Raça, instituídos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que orientam a atuação da magistratura na análise dos processos.

A programação ainda abordou temas como representatividade, trajetórias profissionais e os desafios enfrentados pelas mulheres negras, além de contar com apresentações culturais e a participação de representantes da Casa da Mulher Iraraense, que atua no atendimento a mulheres em situação de vulnerabilidade.

Neste ano, o tema do Julho das Pretas no TJBA foi “Nossa fala estilhaça a máscara do silêncio – Mulheres negras e justiça sociorracial”, inspirado em uma frase da escritora Conceição Evaristo. O movimento, criado pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, fortalece as mobilizações em torno do 25 de julho, data que celebra o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha e, no Brasil, homenageia Tereza de Benguela.


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