Polícia prende gerente de clínica por tortura e resgata 39 pacientes em Candeias




A Polícia Civil  prendeu em flagrante, nesta quarta-feira (22), o gerente de uma clínica de reabilitação localizada na zona rural de Candeias, durante a Operação Terra Santa. O homem foi autuado pelos crimes de tortura e maus-tratos, após equipes policiais encontrarem 39 pacientes em situação de cárcere privado dentro da unidade.

A operação foi conduzida pela 20ª Delegacia Territorial (DT/Candeias), vinculada ao Departamento de Polícia Metropolitana (DEPOM), e teve início a partir das investigações sobre o desaparecimento e homicídio de Iago Marques Formiga, de 33 anos, motorista da clínica. Ele desapareceu em maio deste ano e teve o corpo encontrado carbonizado em uma área de vegetação no município de Camaçari.

As investigações também passaram a apurar a morte de Geovane Santana Lopes, de 31 anos, que morreu em maio deste ano em decorrência de queimaduras sofridas dentro da clínica, em dezembro de 2025.

Durante a operação, os policiais encontraram quartos trancados com cadeados pelo lado de fora e cercas com fios eletrificados instaladas sobre os telhados, estruturas que, segundo a investigação, eram utilizadas para impedir a fuga dos internos.

Além disso, foram cumpridos mandados de busca na residência do proprietário da clínica e na casa do gerente, onde foram apreendidos notebooks, celulares, documentos e medicamentos controlados. Todo o material será submetido à perícia.

De acordo com a Polícia Civil, depoimentos de pacientes apontam que internos eram submetidos a agressões físicas, trabalhos forçados, privação da liberdade e à administração irregular de medicamentos controlados, supostamente utilizados para dopar os pacientes e reduzir sua capacidade de reação.

Os relatos também mencionam um espaço conhecido como "quartinho do amor", onde pacientes afirmam ter sofrido agressões, além de uma área nos fundos da clínica, próxima a um lago, que teria sido utilizada para sessões de tortura, incluindo supostos afogamentos.

As equipes ainda realizaram buscas em áreas de mata próximas à instituição após denúncias de que pacientes eram obrigados a cavar buracos no terreno. A polícia investiga a finalidade desses locais e se há relação com outros crimes.

Os 39 pacientes resgatados foram encaminhados para exames realizados pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT). Os laudos deverão auxiliar na comprovação dos crimes investigados.

Segundo o delegado Marcos Laranjeira, titular da 20ª DT de Candeias, há indícios de participação do proprietário da clínica nos crimes de maus-tratos e tortura. A Polícia Civil também investiga a suspeita de que a unidade possa ter sido utilizada para a execução de vítimas e apura uma possível ligação dos investigados com uma organização criminosa.

Além dos dois homicídios já investigados, a polícia apura denúncias de ameaça, lesão corporal, cárcere privado, maus-tratos e tortura supostamente praticados contra pacientes da instituição.

As investigações seguem para identificar outros envolvidos e esclarecer a possível relação da clínica com outros crimes registrados na região.

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