Saubara: Caretas tomam às ruas durante o mês de julho e mantêm viva tradição secular do Recôncavo

As tradicionais caretas voltaram a ocupar as ruas de Saubara, no Recôncavo Baiano, neste domingo (19). A manifestação cultural, que acontece em todos os domingos do mês de julho, reúne moradores de diferentes idades em uma celebração marcada por máscaras artesanais, fantasias coloridas e personagens que misturam irreverência, mistério e criatividade.

Com a chegada de julho, a cidade encerra o ciclo dos festejos juninos e dá espaço a uma das mais importantes expressões da cultura popular local. Durante o período, mascarados percorrem as ruas preservando uma tradição transmitida de geração em geração.

As máscaras são produzidas artesanalmente, geralmente com papelão, cola e moldes de barro ou cimento, permitindo que cada participante crie um personagem único. A identidade dos mascarados permanece em segredo, reforçando o clima de brincadeira e suspense que caracteriza a manifestação.
Embora não exista um registro preciso sobre sua origem, a tradição faz parte da memória afetiva dos moradores. Em Saubara, diferentes gerações cresceram acompanhando ou participando das caretas, que atravessaram décadas e passaram por transformações sem perder sua essência.
Pesquisadores apontam que a manifestação reúne influências das culturas africana e portuguesa e está relacionada a práticas populares marcadas pelo sincretismo religioso e pela resistência cultural. Apesar de guardar semelhanças com outras tradições do Recôncavo, como as caretas de Acupe, em Santo Amaro, e os papa-figos de Maragogipe, a celebração de Saubara possui características próprias.

Para o pesquisador e articulador cultural Bel Salbara, a permanência da tradição está diretamente ligada ao seu caráter popular e inclusivo.

“O professor Nelson de Araújo disse, na década de 80, que, no aspecto cultural, Saubara deveria ser o coração do Recôncavo. Isso pelo grande número de manifestações que aqui existia, porque, enquanto alguns lugares estavam morrendo, Saubara ainda continuava nascendo”, destacou.

Bel também atribui a resistência da manifestação ao fato de ela estar aberta à participação de toda a comunidade.

“As caretas resistem porque essa é uma festa democrática, é para todas as pessoas. Não precisa pertencer a nada, pagar nada, só colocar a máscara e sair”, afirmou.

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