Mesmo impedida de acontecer nas escadarias da igreja, a tradicional Lavagem de Madeleine reuniu milhares de pessoas nas ruas de Paris neste domingo (13). A 25ª edição da celebração foi marcada pela resistência, pela ancestralidade e pela valorização da cultura afro-brasileira na capital francesa.
O babalorixá Pai Pote, do terreiro Ilê Axé Ojú Onirê, de Santo Amaro, conduziu o ritual de bênção e lavagem realizado na área pública em frente à Igreja de La Madeleine. A cantora Mariene de Castro também teve papel de destaque na programação e comandou a parte musical ao lado do criador do evento, o multiartista santamarense Robertinho Chaves.
A concentração começou pela manhã na Place de la République. De lá, o público percorreu cerca de quatro quilômetros em direção à igreja, acompanhado por mais de 700 artistas. Baianas vestidas de branco, grupos de percussão, maracatu, capoeira e escolas de samba fizeram parte do cortejo.
No trio elétrico, Mariene de Castro e Robertinho Chaves conduziram a festa, que contou ainda com as participações dos artistas baianos Jau e Gildaa. O DJ Uran Rodrigues também integrou a programação, enquanto a cantora lírica Lorena Pires se apresentou dentro da Igreja de La Madeleine, em um momento dedicado à música e à espiritualidade.
Criada em 2002 por Robertinho Chaves, a Lavagem de Madeleine nasceu inspirada na tradicional Lavagem do Bonfim, realizada em Salvador. Ao longo de mais de duas décadas, o evento consolidou-se como uma das principais celebrações da cultura afro-brasileira em Paris.
“Quando começamos, em 2002, queríamos levar para Paris a força da cultura brasileira e, principalmente, a riqueza da nossa cultura afro-brasileira. Hoje, ver artistas, de diferentes grupos e manifestações, ocupando as ruas da cidade é a confirmação de que essa história ganhou vida própria e atravessou fronteiras”, afirmou Robertinho.
Nesta edição, a programação também homenageou o samba e reuniu manifestações culturais brasileiras e artistas de diferentes gerações. Mesmo sem autorização para lavar as escadarias da igreja, o ritual foi mantido na área pública, reafirmando o caráter de resistência cultural e religiosa da celebração.
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