O Terreiro Palácio de Ogum e Caboclo Sete-Serra, em Lençóis, na Chapada Diamantina, foi tombado como Patrimônio Cultural Brasileiro, nesta quarta-feira (26), no segundo dia da 111ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, promovida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Considerado o templo de Jarê mais antigo ainda em funcionamento no Brasil, o terreiro teve o seu tombamento justificado pela relevância cultural e histórica enquanto expressão viva da diversidade religiosa afro-brasileira. Além disso, o espaço representa um testemunho da resistência e da criatividade das populações negras na consolidação de seus territórios simbólicos e espirituais.
“Trata-se de um bem cultural de excepcional valor histórico, simbólico e espiritual, cuja materialidade e ambiência expressam a permanência e a vitalidade de uma tradição afro-brasileira singular”, argumentou a conselheira relatora do parecer, Desiree Ramos Tozi.
A prática do Jarê teve seu início nas cidades de Andaraí e Lençóis, por meio de mulheres nagôs - africanas escravizadas vindas da Costa da Mina, onde hoje é Gana, Togo, Benim e Nigéria.
Outros bens
Além do Terreiro Palácio de Ogum e Caboclo Sete-Serra, outros três bens receberam títulos de Patrimônio Cultural Brasileiro. O Edifício da antiga Repartição Central de Polícia (antigo DOPS), na cidade do Rio de Janeiro, um dos maiores símbolos da repressão política no estado brasileiro durante a ditadura militar foi um deles.
O tombamento do prédio foi efetuado no mesmo ano em que se assinala os 40 anos do fim do regime Civil Militar no Brasil (1964-1985) e os 80 anos do término da Ditatura do Estado Novo (1937-1945). “O imóvel está diretamente relacionado a esses dois períodos de exceção da nossa história republicana. É chegado o momento de termos finalmente o reconhecimento de um lugar de memória traumática integrante do Patrimônio Cultural brasileiro”, observou o relator do parecer, conselheiro José Ricardo Oriá.
Via: Correio

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