Orelhões começam a ser retirados do Brasil; levantamento aponta aparelhos ainda ativos no Recôncavo Baiano

Foto: Portal Cruzalmense


O ano de 2026 marca o fim definitivo de uma era nas telecomunicações brasileiras. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) iniciou, em janeiro, o processo de retirada dos telefones públicos — os populares orelhões — das ruas de todo o país, após o encerramento das concessões do serviço de telefonia fixa.

Um levantamento realizado pelo Conexão Recôncavo, a partir de dados da Anatel, identificou que ainda existem oito orelhões ativos em cinco municípios do Recôncavo Baiano. Em Cachoeira, permanecem dois aparelhos; em Maragogipe, também dois; em Castro Alves, dois; em São Felipe, um; e em Muniz Ferreira, um orelhão ainda consta como ativo. Todos os equipamentos pertencem à operadora Oi, única empresa com registros ativos na região.

Segundo a Anatel, cerca de 38 mil orelhões ainda permanecem espalhados pelo Brasil. No entanto, a maioria já está desativada ou em processo de remoção. A retirada ocorre porque, em 2025, chegaram ao fim as concessões das cinco empresas responsáveis pelo serviço — Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica — que deixaram de ter obrigação legal de manter a infraestrutura de telefonia pública.

A agência informa que a remoção não será imediata em todos os locais. A partir de janeiro, começou a retirada em massa de carcaças e aparelhos inoperantes. Os telefones públicos só deverão ser mantidos, temporariamente, em cidades onde não exista cobertura de telefonia móvel, e apenas até 2028.

O processo de extinção já vinha ocorrendo de forma gradual. Em 2020, o Brasil ainda contava com cerca de 202 mil orelhões. O avanço da telefonia móvel, o acesso à internet e a popularização dos smartphones tornaram o equipamento praticamente obsoleto no dia a dia da população.

Símbolo nacional

Criado em 1971, o orelhão se tornou um dos maiores símbolos do design urbano brasileiro. O projeto é assinado pela arquiteta Chu Ming Silveira, sino-brasileira que desenvolveu os modelos conhecidos como Chu I e Tulipa enquanto trabalhava para uma companhia telefônica.
Embora cabines telefônicas existissem em outros países, o design brasileiro ganhou destaque internacional e foi adotado em lugares como Peru, Angola, Moçambique e China. O formato icônico não era apenas estético: sua concepção ajudava a melhorar a acústica das ligações, reduzindo ruídos externos e oferecendo mais privacidade ao usuário.
No Recôncavo Baiano, a retirada dos últimos orelhões simboliza não apenas uma mudança tecnológica, mas também o encerramento de um capítulo da memória urbana e afetiva de cidades históricas, onde o equipamento fez parte da paisagem e da rotina por décadas.



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