Prefeitos e prefeitas da Bahia se reuniram em Salvador, na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), para discutir o aumento expressivo dos custos do São João e defender a criação de critérios que estabeleçam limites para a contratação de artistas, sobretudo nos municípios do interior. A proposta é encaminhar o debate ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) e aos Tribunais de Contas, com o objetivo de conter o avanço das despesas públicas com os festejos juninos.
Durante o encontro, o presidente da UPB, Wilson Cardoso, destacou a necessidade de padronizar os valores pagos aos artistas, chamando atenção para situações em que um mesmo cantor cobra cachês muito diferentes em cidades próximas. Para os gestores municipais, essa disparidade tem pressionado os orçamentos das prefeituras e ameaçado a continuidade das festas tradicionais.
O prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), afirmou que o crescimento dos gastos com o São João tem sido acelerado nos últimos anos e já compromete a capacidade financeira de municípios de pequeno e médio porte. Segundo ele, os custos para realização da festa chegam a ser até dez vezes maiores do que há cinco ou seis anos.
“O São João começou com um custo e hoje está muito mais caro. Muitos municípios já não conseguem mais realizar a festa, mesmo com a demanda da população por esse tipo de evento”, afirmou o gestor, ressaltando que o impacto vai além do entretenimento e atinge diretamente o turismo e a economia local.
Zé Cocá também alertou que, se não houver mudanças, o cenário tende a se agravar nos próximos anos. “Se continuar desse jeito, em pouco tempo nenhum município baiano terá condições de realizar o São João. Antes, com cerca de R$ 200 mil, era possível fazer uma festa razoável. Hoje, esse valor não cobre nem os custos básicos de estrutura”, completou.
Diante do cenário, os prefeitos defenderam a abertura de um diálogo coletivo entre os municípios para buscar soluções que garantam a manutenção das festas juninas sem comprometer as finanças públicas. “É preciso encontrar um equilíbrio para que o São João continue acontecendo, mas de forma responsável, com despesas que caibam no orçamento das cidades”, destacou Cocá.
Cachês milionários
Cachês milionários em 2025
Um levantamento divulgado pelo site, com base nos dados do Painel de Transparência dos Festejos Juninos do Ministério Público da Bahia (MP-BA), apontou que o cantor Wesley Safadão liderou a lista dos maiores cachês do São João da Bahia em 2025. Ao todo, o artista recebeu R$ 4,4 milhões por apresentações em municípios baianos.
Safadão esteve presente em quatro cidades — Oliveira dos Brejinhos, Cruz das Almas, Jequié e Bom Jesus da Lapa — e recebeu R$ 1,1 milhão por show. Os valores tiveram origem em recursos municipais e foram pagos pelas próprias prefeituras, conforme informações disponibilizadas no painel do MP-BA.

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