Casas Bahia encerra atividades em Cruz das Almas e demite cerca de 20 funcionários

Foto: Reprodução Google Maps



A unidade das Casas Bahia em Cruz das Almas, no Recôncavo Baiano, encerrou definitivamente as atividades e deixou cerca de 20 funcionários demitidos. O fechamento da loja ocorre em meio a um processo de reestruturação da companhia, que entrou com pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, na noite deste domingo (16)

Na ação apresentada à Justiça, o Grupo Casas Bahia informou possuir aproximadamente R$ 17,3 bilhões em passivos. A empresa também solicitou uma liminar para impedir o vencimento antecipado de dívidas e evitar que transportadoras retenham produtos destinados às vendas da rede.

O pedido de recuperação judicial ocorre após a companhia registrar dificuldades financeiras e operacionais nos últimos meses. No balanço do segundo trimestre de 2026, o grupo apresentou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, ante uma perda de R$ 555 milhões registrada no mesmo período do ano anterior.

Fechamento de lojas

A situação financeira da companhia também levou ao anúncio do fechamento de 298 lojas em diferentes regiões do país, medida que faz parte do processo de reestruturação da rede.

Em Cruz das Almas, o encerramento da unidade representa a saída de uma importante rede varejista do comércio físico do município e teve impacto direto sobre os trabalhadores que atuavam na loja.

A companhia vem enfrentando dificuldades para obter crédito destinado à compra de produtos, situação que afetou os estoques e as vendas. Também houve restrições no acesso aos mercados de dívida e de ações, segundo informações apresentadas pela própria empresa.

Do total informado pela Casas Bahia à Justiça, cerca de R$ 16,4 bilhões correspondem a credores quirografários, aqueles que não possuem garantias específicas. Outros R$ 754 milhões são referentes a credores trabalhistas, enquanto aproximadamente R$ 154 milhões envolvem microempresas e empresas de pequeno porte. A empresa possui mais de 19,4 mil credores quirografários.

O cenário de crise já vinha sendo sinalizado pela companhia. Em relatório divulgado no domingo (16), a Casas Bahia informou haver incertezas relacionadas à continuidade das operações e mencionou a possibilidade de recorrer à recuperação judicial ou a uma nova recuperação extrajudicial.

A companhia já havia passado por um processo de recuperação extrajudicial, concluído há cerca de dois anos, em uma tentativa de reorganizar suas dívidas.

O balanço do primeiro semestre apontou prejuízo de aproximadamente R$ 11,18 bilhões. No período, o patrimônio líquido da companhia ficou negativo em R$ 8,27 bilhões, enquanto um ano antes havia registrado saldo positivo de R$ 1,5 bilhão.

A situação também chamou a atenção dos auditores da EY, que apontaram incerteza relevante relacionada à continuidade operacional da empresa. Segundo o relatório, não foi possível concluir sobre a utilização da base contábil de continuidade operacional em 30 de junho nem determinar eventuais efeitos ou ajustes nas demonstrações financeiras.

Entre os fatores que contribuíram para o agravamento da situação estão a redução das fontes de crédito, dificuldades de acesso ao mercado financeiro, pressão sobre o consumo e problemas relacionados ao capital de giro.

O pedido de recuperação judicial agora será analisado pela Justiça, que deverá avaliar os pedidos apresentados pela companhia e os próximos passos do processo de reestruturação.

Com informações do Valor Econômico.

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