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| Foto: Rede Bahia |
Duas trabalhadoras rurais enfrentam há cerca de 10 anos as consequências de um erro de registro que fez com que elas tivessem o mesmo nome, a mesma data de nascimento e o mesmo número de CPF. O caso foi registrado em um cartório de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, e permanece em discussão na Justiça.
As duas mulheres se chamam Marinalva de Souza Barreto e nasceram em 21 de junho de 1959. Apesar da coincidência de nome e data de nascimento, elas vivem em municípios diferentes. Uma mora na zona rural de Cachoeira, no Recôncavo, enquanto a outra reside na zona rural de Ipecaetá, a cerca de 60 quilômetros de Feira de Santana.
A duplicidade dos documentos, segundo relatos das duas, tem provocado uma série de transtornos ao longo dos anos. Entre os problemas estão bloqueio ou suspensão de benefícios, cobranças relacionadas a empréstimos que afirmam não ter contratado, restrições em contas bancárias e dificuldades para acessar serviços públicos.
Em entrevista para a Rede Bahia, uma das Marinalvas conta que descobriu o problema quando tentou solicitar a aposentadoria. Segundo ela, ao procurar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), foi informada de que já existia um benefício de aposentadoria registrado em seu nome.
Além da dificuldade para obter o benefício previdenciário, ela afirma que teve o nome negativado por causa de empréstimos que diz não ter contratado.
Os problemas também chegaram ao fornecimento de energia elétrica. De acordo com o relato, a existência de contratos duplicados vinculados à mesma empresa teria provocado a suspensão do serviço.
A situação também afeta a movimentação bancária. Uma das mulheres afirma que não consegue realizar ou receber transferências por Pix porque a conta foi bloqueada sob suspeita de fraude.
A trabalhadora rural que mora em Ipecaetá também relata prejuízos provocados pela duplicidade do CPF. Segundo ela, o Bolsa Família foi suspenso após o sistema identificar uma possível situação de fraude.
As dificuldades se estendem ainda ao acesso a serviços bancários, já que a duplicidade dos dados cadastrais faz com que informações de uma mulher sejam associadas à outra.
Além dos problemas financeiros e relacionados a benefícios, a situação teria provocado dificuldades até mesmo no exercício do direito ao voto durante eleições.
O caso se arrasta na Justiça há aproximadamente uma década, enquanto as duas mulheres continuam convivendo com as consequências de terem seus dados pessoais vinculados ao mesmo número de CPF.

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