Os números foram apresentados em uma publicação da UFRB sobre uma iniciativa de capacitação de profissionais de saúde na microrregião de Cruz das Almas, que abrangia nove municípios entre Conceição da Feira e Sapeaçu. As informações citadas pela universidade tiveram como referência uma pesquisa sobre a vulnerabilidade social e programática de pessoas com transtornos falciformes na Bahia. O índice de Cachoeira é um dado divulgado em 2023 e não deve ser interpretado como uma estimativa atualizada da incidência no município.
O tema ganha destaque nesta terça-feira (27), quando é celebrado o Dia Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Doença Falciforme. A data busca ampliar a informação sobre a enfermidade e reforçar a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento contínuo e do acesso ao tratamento. Em todo o Brasil, estima-se que cerca de 60 mil pessoas convivam com a doença.
De origem genética e hereditária, a doença falciforme altera o formato dos glóbulos vermelhos, que podem assumir a forma de foice e dificultar a circulação do sangue e o transporte de oxigênio para órgãos como cérebro, pulmões e rins. Entre as principais manifestações estão anemia crônica e crises recorrentes de dor. A condição é mais frequente entre pessoas negras, pretas e pardas, mas também pode atingir pessoas de outros grupos étnicos.
Na Bahia, o Censo das Pessoas com Doença Falciforme, lançado em junho de 2024 pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), em parceria com a Fundação Hemoba, busca identificar pacientes, serviços e profissionais envolvidos no atendimento. Segundo balanço divulgado pela Hemoba em abril de 2026, o levantamento havia cadastrado 2.186 pessoas de 352 municípios baianos até 10 de abril daquele ano. O mapeamento contribui para identificar necessidades e fortalecer a rede de assistência.
O diagnóstico pode ser realizado pelo teste do pezinho, nos recém-nascidos, e por exames específicos, como a eletroforese de hemoglobina, conforme indicação profissional. O acompanhamento deve ser feito pela rede do Sistema Único de Saúde (SUS), com atenção multiprofissional e tratamento adequado para prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.



