Após mais de dez anos de pesquisa e convivência com o cineasta Geraldo Sarno, Sophia Mídian apresenta um novo olhar sobre a identidade sertaneja e sua representação no cinema brasileiro.
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| Sophia Mídian. Foto: Divulgação |
O que vem à cabeça quando pensamos no sertão brasileiro? Para muita gente, as primeiras imagens ainda são as da terra rachada, da seca e da pobreza. Mas será que elas dão conta de representar a diversidade cultural e humana dessa região?
É a partir desse questionamento que a jornalista e pesquisadora baiana Sophia Mídian apresenta o livro Desconstruindo estereótipos: o devir-sertanejo na obra de Geraldo Sarno, publicado pela Editora O Candeeiro. Após estrear na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a obra será lançada em Salvador no dia 13 de novembro, às 17h, na Livraria Terra Libris, localizada no Cine Glauber Rocha, com coquetel de lançamento.
O livro propõe uma reflexão sobre como o Nordeste e seus habitantes foram representados ao longo da história, tendo como referência a filmografia de Geraldo Sarno (1938–2022), cineasta baiano reconhecido por documentar a cultura popular, as migrações e as transformações sociais do país.
Ao analisar documentários como Viramundo, Viva Cariri! e A Terra Queima, Sophia desenvolve o conceito de devir-sertanejo, que compreende o sertanejo não como uma identidade fixa, associada à miséria ou ao atraso, mas como um sujeito em permanente transformação, produtor de cultura, memória e resistência.
Um dos diferenciais da publicação é a proximidade da autora com Geraldo Sarno. Durante anos, Sophia acompanhou reflexões sobre seus filmes e processos criativos, participando de encontros, entrevistas e conversas sobre cinema, literatura e filosofia no Núcleo de Audiovisual (NAU). Essa convivência permitiu incorporar à pesquisa aspectos do pensamento do cineasta que ultrapassam a análise de sua obra.
"Este livro nasceu do desejo de homenagear o cineasta e amigo Geraldo Sarno e devolver complexidade ao sertão e às pessoas historicamente reduzidas a estereótipos. Mais do que um estudo sobre sua obra, é uma reflexão sobre o Brasil profundo e sobre a potência do cinema para reinventar nossos modos de ver o outro", afirma Sophia Mídian.
Resultado de uma pesquisa iniciada no Mestrado em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a publicação convida o público a questionar as imagens que moldam nossa percepção do Nordeste e a reconhecer a pluralidade de suas identidades. O projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, e execução do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura.



