Salvador: exposição "Inclassificáveis" segue aberta no MUNCAB até 9 de agosto

Mostra reúne cerca de 100 obras rematriadas dos Estados Unidos e destaca esculturas da Escola de Escultores de Cachoeira, tradição iniciada por Boaventura da Silva Filho, o Louco.

Abetuta Inclassificáveis. Foto: Daniel Cerqueira

O público tem até o dia 9 de agosto para visitar a exposição "Inclassificáveis", em cartaz no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), localizado no Centro Histórico de Salvador. A mostra reúne cerca de 100 obras de artistas baianos que retornaram à Bahia após permanecerem por mais de três décadas nos Estados Unidos.

Cintia Maria, jamile Coelho e Jil Soares. Foto: Luan Teles

Com curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares, a exposição apresenta esculturas, pinturas, gravuras e objetos que desafiam classificações como "arte popular", "naif" e "folclórica". A proposta é reposicionar essas produções como parte fundamental da arte brasileira contemporânea, valorizando seus aspectos estéticos, históricos, sociais e políticos.

O ponto de partida da exposição é a rematriação das obras que integravam o acervo do Instituto Con/Vida, em Detroit, nos Estados Unidos. Inspirado nas reflexões do artista e pesquisador Ayrson Heráclito, o conceito amplia a ideia de repatriação ao destacar que o retorno dessas peças representa também a reconstrução de seus vínculos com os territórios, as comunidades e as memórias que lhes deram origem.

A exposição ocupa o térreo e o primeiro andar do museu, distribuída em três núcleos: "Restituir Sentidos – Amor, Festa e Devoção", "Cotidianos" e "Escolas Invisíveis". O percurso reúne obras que retratam manifestações culturais afro-brasileiras, o cotidiano urbano e rural de Salvador e do Recôncavo Baiano, além de destacar tradições artísticas transmitidas entre gerações.

Irmandade / Lena da Bahia
Entre os artistas presentes estão J. Cunha, Alberto Pitta, Sol Bahia, Babalu, Raimundo Nonato, Calixto Sales, Lídia Hora, Alfredo Cruz, Eduardo Santos Silva, Mauro di Verde, Didito, Palito, Telma Sá, Tupinancy e integrantes da Escola de Escultores de Cachoeira, tradição iniciada por Boaventura da Silva Filho, o Louco, e mantida por artistas como Doidão, Mimo, Dory e Roque Escultor.

Um dos destaques da mostra é a valorização das chamadas "Escolas Invisíveis", que evidenciam produções desenvolvidas no Pelourinho, na Ladeira da Conceição, em Salvador, e em Cachoeira. A curadoria ressalta que esses espaços historicamente ficaram à margem dos circuitos oficiais de arte, apesar de sua relevância para a cultura baiana.

Além de propor uma reflexão sobre os critérios tradicionais de classificação da arte, "Inclassificáveis" também oferece recursos de acessibilidade, com obras táteis destinadas a pessoas com deficiência visual e baixa visão.

O MUNCAB é uma instituição voltada à pesquisa, preservação e difusão das artes visuais afro-brasileiras, afro-diaspóricas e africanas, desenvolvendo ações de formação, mediação cultural e valorização da produção artística negra no Brasil.

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